terça-feira, 16 de maio de 2017

Por terras de lá.

"Para o concelho de Coura, mandaram recado a Domingos da Cunha, sempre testo e pronto para a causa real, e, como não, se não perdia de vista que tinha cinco filhos, quatro deles a pedir comezia!
Além dos muitos servos e arrendatários que a casa do Amparo tinha em Romarigães e terras vizinhas, desfrutava, pelas suas relações de parentesco, de grande influência na fidalguia do Alto Minho. Por sua vez, passou palavra aos Melos, de S. Pedro da Castanheira; aos Coutinhos, de Pico de Regalados; aos Araújos, de Couto de Sabariz; aos Castros, de S. Martinho de Vascões e Insalde; aos Barbosas de Lima, de S. Miguel de Porreiras, aos Antas, de Rubiães e de Santa Maria de Agualonga; aos Sotomaiores e Gamas, de Infesta; aos Liras, de S. Mamede de Ferreira, e aos Pereiras da Silva, de Santa Maria da Cunha. Por montes e vales, onde havia almuinha ou casal, os porteiros bateram nos tambores o rufo de guerra. Romarigães foi designada para local de concentração. Dia a dia chegavam recrutas de toda as partes, desde Fontoura, a escorregar para o rio Minho, a Corno de Bico, a olhar os Arcos. Gondalim mandou uma bela maltesia de tombadores de lobo, e Pardelhas e Covas mocetões feitos nas cavas e estorgadas. "

in "A casa grande de Romarigães" - Aquilino Ribeiro
Livraria Bertrand - 5ª edição.
pág. 52