quarta-feira, 17 de maio de 2023

Caminho de São Bento da Porta Aberta.

Existe um não-sei-o-quê em algumas pessoas que as deixa irrequietas; um estado de espírito que as não sossega, aflige no estado buliçoso que lhes lança, como praga, um agitado labéu: mexe-te!

Eu sou uma dessas pessoas; e, então, mexi-me!

A escolha recaiu no Caminho de São Bento da Porta Aberta. Como, pouco antes, havia recaído no Caminho da Geira e dos Arreeiros; e, mais recentemente, na Rota Vicentina. Opções que, por uma razão ou outra, foram sendo descartadas - não eliminadas!

O percurso, a iniciar em Fão ou Esposende, acompanha o Cávado no sentido inverso do seu percurso até ao mar por cerca de 80 Km, com paragens em Barcelinhos, Braga e Amares, usando a estrutura montada para os Caminhos de Santiago (o Central e o da Geira).

Por ser caminho de devoção antigo, percorre áreas de interesse histórico e religioso de inegável valia; por atravessar o Minho verdejante, paisagens lindíssimas; e, por todas as razões e mais alguma, come-se à grande!   

Atravessar terras com registo de presença que remontam ao ano 500 da nossa era; mosteiros que remontam ao alvores da nacionalidade; matas que atravessaram séculos...

As três primeiras etapas são percorridas sem esforço de maior, sendo o terreno amplo e sem grandes elevações; apenas a última etapa - e se a opção for subir pela Srª da Abadia (o caminho inicial, é o que faz sentido!) - exige pernas e alguma experiência. Contudo, o esforço é altamente compensado pela beleza natural do percurso.

O primeiro avistamento de Rio Caldo é emocionante, já em plena descida após a passagem pelo marco geodésico. De seguida, o avistamento da basílica traz outra emoção e, de novo, a sensação que  nos acompanha de nunca ser uma chegada, mas sim uma nova partida.