quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Do belo mundo composto de mudança

Rua de S. Bento da Vitória
Porto
 
Assunto: Tasca Gourmet? Só Tasca? Só Gourmet? Ambas?
 
Questão assaz pertinente: será um paradoxo? Um pleonasmo?
 
Inclinando-me para a contradição, direi que o requinte exígivel ao Gourmet choca frontalmente com o pendor popular da tasca, do petisco e da malga de tinto borra-beiços (inclusivé, de cariz afectivo, até!, por oposição a uma certa artificialidade da coisa fina e chique...e cara!!! que é o gourmet - para além de ser um galicismo que, incorrendo rapidamente na degeneração do seu pedigree, ameaça ser truncado por algo parecido com "gurméte", "grumé" ou "grrumê"); logo, não bate a bota com a perdigota!, a vassoura com o soalho!, ou o lapís com a afia.
 
Considerando o pleonasmo (se levada em atenção a deambulação peripatética por alguns dos becos mal afamados, e outros assim-assim, desta cidade e de outras - sem desprimor para vilas, aldeias, localidades e lugares), posso dizer, afirmar, corroborar, partilhar, informar, sentenciar:
 
 SE É TASCA, É GOURMET!
 
Dada a candência do tema, alerto para a necessidade de um debate sério e aprofundado na tasca mais próxima. 

Terras do meu país

Por detrás do balcão, brandiu a garrafa à nossa frente e disse: - é como a bebida: Macieira.
Mais assegurou que bastava adicionar ao destinatário Ribeira de Pena, Vila Real, e o carteiro deixava lá direitinho o correio.
Quem entender por estranho o nome da terra à míngua das ditas cujas nos terrenos de cultivo cicundantes à aldeia, então refresque-se com alguns exemplos apanhados de um qualquer guia ou atlas mais completo e à mão de semear:
Anhões, Badim, Bico, Labruja, Alfarela de Jales, Abaças, Boelhe, Benlhevai, Aboim das Choças, Bunheiro, Serapicos, Bubadela, Unhos, Arco da Calheta, Arrouquelas, Pocariça, Alcongosta, Sobral de Papízios, Bordonhos, Abiul, Souto da Carpalhosa, Brinches, Montoito, Juromenha, Canhestros, Ranhados, Fataunços, Bugalhos, Minhocal.

São todas elas terras de Portugal.
Prometo voltar ao assunto.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

À guisa de intróito...

...e na falta de inspiração, recorro ao eterno Miguel Torga e aos seus diários para arrancar esta prosa deliciosa:
 
"Gerês, bouça da Mó, 23 de Julho
- vai daqui para Roma sem parar...- garantiu-me o guarda florestal, a mostrar-me pela serra fora o piso aliciante da geira romana.
- vai...vai...- respondi-he eu, a tirar da esperança universal de que todos os caminhos vão dar a Roma uma filosofia sem complicações.
O rio Homem (que assombroso nome para um rio!) em baixo, passava no seu calvário de carne e osso, do lado de lá, a serra Amarela erguia-se abrupta com as suas casarotas enigmáticas no alto; sobre a minha cabeça, hirto, pendia o pico de Cabril; de maneira que nenhuma metafísica era possível ali.
- E que tal esta solidão? - quis saber eu.
- Triste...- respondeu o eco de um queixume. - Sempre aqui neste ermo...
«Vai daqui a Roma sem parar», pus-me a reflectir outra vez. e percebi então, de repente, a sedução mágica dos caminhos e o desespero amargo das sentinelas."
in Diário - III
3ª edição, 1973
pags.104 e 105 

A sedução mágica dos caminhos que também há de ter seduzido Fernando Pessoa quando afirmou "viajar é perder países", certamente atento ao desespero amargo das sentinelas a guardar estradas que vão!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Hoje, 15-08-2014 e após mais uma caminhada no Parque Natural da Serra do Alvão, em conversa de regresso ao Porto, surgiu a ideia de se criar este blog. Somos um grupo de amigos que têm em comum o gosto pelas caminhadas em espaços naturais e ao mesmo tempo, gostamos imenso de saborear os petiscos de cada local por onde passamos. Eis pois que surge o nome "Trilhos e Petiscos". É assim mesmo por esta ordem. Primeiro percorremos em média cerca de 14 Km e só depois provamos os petiscos de cada terra por onde passamos. De hoje em diante e sempre que nos juntarmos para efectuar mais um percurso, iremos dar a conhecer os locais por onde passamos, bem como os petiscos que provamos.