(clicar para ampliar)
"O episódio que vou contar aconteceu em 2017, aquando do trilho Bustilerne - Torrinheiras, o qual seria, à partida, como tantos outros, marcado apenas pelo prazer de percorrer entre montes e veredas os caminhos que nos conduzem à contemplação de paisagens naturais deslumbrantes.
Ao passar por Porto D'Olho, deparamos com o monte Pico do Alto da Varela, cujo acesso à Capela Nossa Senhora Mãe da Igreja, que se encontrava no cimo, se fazia por uma estrada interessante, mas cansativa, que serpenteava o monte.
Embora reconhecendo o interessa paisagístico visto do pico do monte, a maioria de nós não se mostrou com vontade de empreender essa íngreme subida, com excepção do Paulo Ferreira, que não queria perder a oportunidade de fazer mais umas fotos bonitas.
Enquanto ele foi, ficamos então cá em baixo a aguardar, quando nos apareceu um habitante da aldeia a conduzir um boi enorme até um tanque cheio de água que se encontrava próximo. Ali parados, obviamente, não podíamos desperdiçar a oportunidade de fazer o registo fotográfico do animal a saciar a sua sede, junto do seu dono que se encontrava de costas para nós.
Tudo normal, não fosse o senhor voltar-se repentinamente, no preciso momento do disparo da máquina fotográfica e subitamente dar um grito de aflição alucinante, e, levando a mão ao peito repetir "ai que eu morro...". Preocupados, mas com receio dos chifres do animal, (que por si só também se assustou) tentamos perceber o que se passava. Foi então que o senhor, que entretanto se acalmara, nos explicou que tinha sido operado ao coração e que lhe tinham implantado um pacemaker, pelo que, quando se voltou, e viu as máquinas fotográficas viradas pare ele, pensou que se lhe tirassem uma fotografia, o seu coração iria parar.
Depois de alguns minutos de conversa tranquilizadora, lá continuamos todos o nosso caminho, ficando este episódio para narrar então neste momento.".
A participação do Horácio remete-nos para os primeiros contactos dos fotógrafos com povos/tribos ancestrais que, receando o roubo da anima, recusavam-se deixar fotografar.
O próximo participante será o Manel, com prazo de entrega até 16 de Junho.

Eu fui um dos que não subiu ao monte e quando o Horácio "clicou" o momento, durante uns breves instantes preparei-me para bater o record mundial dos 200 mt. linha recta: o boi - tal como se vê na foto - era imponente e assustou-se deveras.
ResponderEliminarEnquanto todos se assustavam com a aflição do homem e o pujante animal eu, que o vi de hastes emboladas, preparei-me para uma pega, sim, como os forcados amadores de Santarém pois tive treino com eles enquanto lá lecionei por dois anos.
ResponderEliminarBOM!!! confesso, foi um pensamento louco mas fugaz, também me assustei. Gostei da lembrança. Boa Horácio.
Não assisti ao momento que descreve mas julgo que também fotografei esse bovino.
ResponderEliminarDepois de consultar algumas fotos refresquei a memória e fiquei em sintonia com passagens da sua narrativa.
Nota: Tive alguma dificuldade em referenciar a caminhada Busteliberne - Torrinheiras. No meu arquivo tenho CAMINHADA - MOINHOS DE REI / SERRA DA CABREIRA (2017-03-11).
Parabéns. Abraço.
É essa mesmo, a caminhada "Moinhos de Rei" Serra da cabreira.
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