Quando o futebol se
jogava ao domingo, passava na RTP1 um programa chamado,
precisamente...”Domingo desportivo”, que escalpelizava a jornada
futebolistica: as vitórias, as derrotas, os empates, os golos
marcados, os golos sofridos....enfim, tudo ao pormenor para deleite
do mais fanático do pontapé na bola.
Dessa época, ficou
famoso o chavão usado pelo correspodente da Madeira que,
invariavelmente, começava a narração do resumo sempre da mesma
forma: “ Em tarde de intensa canícula...”, e prosseguia para a
narração dos momentos chave da partida.
Pois no sábado, em dia
de intensa pluviosodade, meia dúzia mais um de indomáveis bravos do
pelotão acercaram-se de Macieira e, sem piedade, tomaram de assalto
o morro a caminho de Alvadia, indiferentes ao forte vento gélido,
quase glacial, e à torrente impetuosa dos aguaceiros, qual dilúvio
divino castigando os pecadores.
Sem temores e mais rápido
do que o tempo que leva a dizer “Kinshasa”, vencerem a vertente
escarpada e quase impossível de tratar; “quase”, pois que o
impossível é a regra.
Munidos apenas da sua
vontade férrea, atravessaram o perigoso planalto eivado de feras e
outras bestas de impossível descrição e ainda por catalogar nos
compêndios zoológicos do mundo; doenças e cataclismos
psicológicos capazes de vergar, até, a vontade do aço, mas não a
dos Bravos: indómita, segura e hercúlea.
Assim se escreve a
história e os anais da bravura, as páginas douradas da gesta humana
que extravazam a sua mera condição e ascendem ao Olimpo da
eternidade.
Sem parança, palmilharam
dezenas...- que digo eu: centenas!- de quilómetros em busca do
inatingível apenas pela obrigação que lhes queima os ossos, pois
que brotam do mais fundo da alma reminiscências do passado Atlante.
À frente a abrir
caminho, a desvendar veredas por entre a pedra e o matagal, munido da
mais moderna parafernália tecnológica com ligação directa ao
mundo virtual é pelo mapa de papel que vamos, guiado pelo seu
instinto apurado em mil e uma missões de indízivel perigo: JOAQUIM.
Qual sombra que faz
sombra a si mesma, de movimentações indetectáveis ao mais apurado
dos sentidos, MARIA JOSÉ segue o irmão caminhando um palmo acima do
solo: sem rasto, sem ruído, como se não existisse, para, no momento
certo, surgir diante da presa pronta a cumprir a sua missão.
Do pelotão de
franco-atiradores destaque para FERREIRA: atento aos pormenores, é
capaz de detectar uma cor onde ela não existe; um animal em passagem
sorrateira e camuflada; um caminho que ninguém usa; PEREIRA DA
SILVA: especialista em tiro de repetição, é um falso lento capaz
de surpreender a guarda avançada do adversário em terra de ninguém;
HORÁCIO: valente e decidido, hoje e sempre, leão de muitas lutas,
não se deixa abater pelas mazelas que os anos de combate lhe
deixaram de herança. Agora, com nova arma, é ainda mais letal;
JORGE: observador, estuda afincadamente a leitura dos mapas e
geo-referências para, se necessário, optar pelo instinto como
factor de decisão. Especialista em sinais de fumo; PAULO:
franco-atirador de reconhecidos méritos esqueceu-se de carregar a
arma na noite anterior e não trouxe um recuerdo de amostra.
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