segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Missão cumprida e comprida!

Quando o futebol se jogava ao domingo, passava na RTP1 um programa chamado, precisamente...”Domingo desportivo”, que escalpelizava a jornada futebolistica: as vitórias, as derrotas, os empates, os golos marcados, os golos sofridos....enfim, tudo ao pormenor para deleite do mais fanático do pontapé na bola.
Dessa época, ficou famoso o chavão usado pelo correspodente da Madeira que, invariavelmente, começava a narração do resumo sempre da mesma forma: “ Em tarde de intensa canícula...”, e prosseguia para a narração dos momentos chave da partida.
Pois no sábado, em dia de intensa pluviosodade, meia dúzia mais um de indomáveis bravos do pelotão acercaram-se de Macieira e, sem piedade, tomaram de assalto o morro a caminho de Alvadia, indiferentes ao forte vento gélido, quase glacial, e à torrente impetuosa dos aguaceiros, qual dilúvio divino castigando os pecadores.
Sem temores e mais rápido do que o tempo que leva a dizer “Kinshasa”, vencerem a vertente escarpada e quase impossível de tratar; “quase”, pois que o impossível é a regra.
Munidos apenas da sua vontade férrea, atravessaram o perigoso planalto eivado de feras e outras bestas de impossível descrição e ainda por catalogar nos compêndios zoológicos do mundo; doenças e cataclismos psicológicos capazes de vergar, até, a vontade do aço, mas não a dos Bravos: indómita, segura e hercúlea.
Assim se escreve a história e os anais da bravura, as páginas douradas da gesta humana que extravazam a sua mera condição e ascendem ao Olimpo da eternidade.
Sem parança, palmilharam dezenas...- que digo eu: centenas!- de quilómetros em busca do inatingível apenas pela obrigação que lhes queima os ossos, pois que brotam do mais fundo da alma reminiscências do passado Atlante.
À frente a abrir caminho, a desvendar veredas por entre a pedra e o matagal, munido da mais moderna parafernália tecnológica com ligação directa ao mundo virtual é pelo mapa de papel que vamos, guiado pelo seu instinto apurado em mil e uma missões de indízivel perigo: JOAQUIM.
Qual sombra que faz sombra a si mesma, de movimentações indetectáveis ao mais apurado dos sentidos, MARIA JOSÉ segue o irmão caminhando um palmo acima do solo: sem rasto, sem ruído, como se não existisse, para, no momento certo, surgir diante da presa pronta a cumprir a sua missão.
Do pelotão de franco-atiradores destaque para FERREIRA: atento aos pormenores, é capaz de detectar uma cor onde ela não existe; um animal em passagem sorrateira e camuflada; um caminho que ninguém usa; PEREIRA DA SILVA: especialista em tiro de repetição, é um falso lento capaz de surpreender a guarda avançada do adversário em terra de ninguém; HORÁCIO: valente e decidido, hoje e sempre, leão de muitas lutas, não se deixa abater pelas mazelas que os anos de combate lhe deixaram de herança. Agora, com nova arma, é ainda mais letal; JORGE: observador, estuda afincadamente a leitura dos mapas e geo-referências para, se necessário, optar pelo instinto como factor de decisão. Especialista em sinais de fumo; PAULO: franco-atirador de reconhecidos méritos esqueceu-se de carregar a arma na noite anterior e não trouxe um recuerdo de amostra.

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