segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Calhou, ser ao calhas!


E porque as leituras são ao calhas, calha que estas são como as cerejas, aos molhos, aos cachos; guiou-me a mão para a estante aonde repousava a “Etnografia transmontana, crenças e tradições de Barroso”, que o Pª. Fontes fez editar em 2 volumes preciosos na Editorial Domingos Barreira. Socorro-me da 3ª edição, e a pág.s. 218 e 219 leio:

O nosso povo sabe caracterizar muito bem os seus vizinhos. Um defeito comum, um erro conhecido, um hábito generalizado, um facto histórico ou lendário é capaz de ser motivo suficiente para apodar todos os do mesmo povo com o mesmo nome.

Seria valioso e importante descrever e raciocinar sobre as alcunhas de cada terra. Ajudavam-nos a conhecer o feitio, o valor, os podres e as qualidades de cada aldeia de Barroso. O povo sabe muito bem a razão de tais nomeadas, pois foi ele, com veia de poeta, que baptizou assim os seus vizinhos. (…)

Algumas aldeias tem mais que um nome ou alcunha. Conforme o gosto de quem os nomeia e a tradição de cada um. Os de uma terra são capazes de chamar aos de Solveira escorna-cruzes e outros já lhes chamam tarouqueiros. Os da Vila da Ponte gostam de se chamar fidalguinhos, mas os vizinhos já lhes chamam chavelheiros. Não está esgotado este capítulo. (…) Estas nomeadas, ou lengalenga como outros lhe chamam, usam-se quando se quer espezinhar uma pessoa. Então aplica-se-lhe o nome que lhe compete. Raramente se leva a mal.

Nomeadas das terras e gentes:

Côdeas de Pai Afonso,

Carquejeiros da Serra,

Tolos de Aquimbró,

Cachorros do Telhado,

Cornelinhos das Alturas,

Arre-burro das Quintas

Futriqueiros das Boticas”

Aínda náo está encerrado este capítulo; cá voltarei!

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