E porque as leituras são
ao calhas, calha que estas são como as cerejas, aos molhos,
aos cachos; guiou-me a mão para a estante aonde repousava a
“Etnografia transmontana, crenças e tradições de Barroso”, que
o Pª. Fontes fez editar em 2 volumes preciosos na Editorial Domingos
Barreira. Socorro-me da 3ª edição, e a pág.s. 218 e 219 leio:
“O nosso povo sabe
caracterizar muito bem os seus vizinhos. Um defeito comum, um erro
conhecido, um hábito generalizado, um facto histórico ou lendário
é capaz de ser motivo suficiente para apodar todos os do mesmo povo
com o mesmo nome.
Seria valioso e
importante descrever e raciocinar sobre as alcunhas de cada terra.
Ajudavam-nos a conhecer o feitio, o valor, os podres e as qualidades
de cada aldeia de Barroso. O povo sabe muito bem a razão de tais
nomeadas, pois foi ele, com veia de poeta, que baptizou assim os seus
vizinhos. (…)
Algumas aldeias tem
mais que um nome ou alcunha. Conforme o gosto de quem os nomeia e a
tradição de cada um. Os de uma terra são capazes de chamar aos de
Solveira escorna-cruzes e outros já lhes chamam tarouqueiros.
Os da Vila da Ponte gostam de se chamar fidalguinhos, mas os
vizinhos já lhes chamam chavelheiros. Não está esgotado
este capítulo. (…) Estas nomeadas, ou lengalenga como outros lhe
chamam, usam-se quando se quer espezinhar uma pessoa. Então
aplica-se-lhe o nome que lhe compete. Raramente se leva a mal.
Nomeadas das terras
e gentes:
Côdeas de Pai Afonso,
Carquejeiros da Serra,
Tolos de Aquimbró,
Cachorros do Telhado,
Cornelinhos das
Alturas,
Arre-burro das Quintas
Futriqueiros das
Boticas”
Aínda
náo está encerrado este capítulo; cá voltarei!
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