A subida à capela de S. João da
Fraga é tão cansativa para a embalagem que nos aconchega os ossos, como
arrebatador para os olhinhos da alma que um dia a terra há-de comer. Mais ainda se cumprida sob um sol
rigoroso, abrasador e inclemente, trilhando impiedoso empedrado capaz de moer
as solas do sapatame mais duro.
A saída de Pitões faz-se por um
carreiro inclinado, descendente – aqui, todos são garbosos caminhantes!-, que
se embrenha aos poucos na vegetação, atravessa ribeiros e fresca as cabeças
torradas do sol com os frondosos ramos vestidos do arvoredo (aqui, o escriba penitencia-se
pela ignorância no chamamento das árvores, pois que para si tudo é arvoredo – é tão triste não saber ler, diz o
povo!).
Aparcada ao ladinho da ponte de
madeira e abrigada ao sombrio das ramagens, ouvindo, vendo e sentindo o
ribeirinho correndo sereno no seu vagar, uma caminete dos palhaços relembra aos sérios as palhaçadas que estes
andam fazendo neste circo; armando barraca e prometendo cabriolas de espantar
mais não cumprindo que estatelar-se ao comprido no chão da vida.
Moral do instante, à laia de
sentença dos bolinhos da sorte: uns, são
palhaços; outros, fingidores.
Siga p’ra diante que não te
encomendaram sermão!
Tamanha lindeza mereceu
eternizar-se em cliché costumeiro nos grupos da bola, uns de pé, atrás; os
outros, joelho no chão, em primeiro plano, mirando absortos o infinito, dando à
morte a sua melhor face e a barriga encolhida, não vá o mafarrico tecê-las e
posterizar a orelha arrebitada, o nariz empinado ou o corte no queixo que
lâmina rombuda lascou na carne nos matinais preparos higiénicos.
Da banda feminil os preparos
serão outros; mas o fim, o mesmo!
Upa que upa pedra acima, canseira
ao rubro e bofes pela boca que nem gaita desafinada em dia de romaria, zoando
loas de lamiré à santinha por aqueles que já lá estão e pelos outros, os que
vão a caminho que a morte é certa.
Adianto escusa na pressa, vou-me ficando bem por cá!
