quinta-feira, 9 de julho de 2015

S. João da Fraga - Da torreira.



A subida à capela de S. João da Fraga é tão cansativa para a embalagem que nos aconchega os ossos, como arrebatador para os olhinhos da alma que um dia a terra há-de comer. Mais ainda se cumprida sob um sol rigoroso, abrasador e inclemente, trilhando impiedoso empedrado capaz de moer as solas do sapatame mais duro.
A saída de Pitões faz-se por um carreiro inclinado, descendente – aqui, todos são garbosos caminhantes!-, que se embrenha aos poucos na vegetação, atravessa ribeiros e fresca as cabeças torradas do sol com os frondosos ramos vestidos do arvoredo (aqui, o escriba penitencia-se pela ignorância no chamamento das árvores, pois que para si tudo é arvoredo – é tão triste não saber ler, diz o povo!).
Aparcada ao ladinho da ponte de madeira e abrigada ao sombrio das ramagens, ouvindo, vendo e sentindo o ribeirinho correndo sereno no seu vagar, uma caminete dos palhaços relembra aos sérios as palhaçadas que estes andam fazendo neste circo; armando barraca e prometendo cabriolas de espantar mais não cumprindo que estatelar-se ao comprido no chão da vida.
Moral do instante, à laia de sentença dos bolinhos da sorte: uns, são palhaços; outros, fingidores. 
Siga p’ra diante que não te encomendaram sermão!
Tamanha lindeza mereceu eternizar-se em cliché costumeiro nos grupos da bola, uns de pé, atrás; os outros, joelho no chão, em primeiro plano, mirando absortos o infinito, dando à morte a sua melhor face e a barriga encolhida, não vá o mafarrico tecê-las e posterizar a orelha arrebitada, o nariz empinado ou o corte no queixo que lâmina rombuda lascou na carne nos matinais preparos higiénicos. 
Da banda feminil os preparos serão outros; mas o fim, o mesmo! 
Upa que upa pedra acima, canseira ao rubro e bofes pela boca que nem gaita desafinada em dia de romaria, zoando loas de lamiré à santinha por aqueles que já lá estão e pelos outros, os que vão a caminho que a morte é certa. 
Adianto escusa na pressa, vou-me ficando bem por cá!

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