Depois da tempestade, a bonança; e o
ar fica fresco e o dia claro como se nada houvesse ocorrido, o céu
desabado em bátegas e os ventos furiosos varrido a superfície,
arrastando elefantes à laia de folhas de plátano vogando, dolentes,
a caminho do chão numa tarde outonal.
O parágrafo anterior é um exagero,
facilmente detectável, no relato que empreendo mas, quando a inércia
dita leis e a preguiça faz cama, nem a fé, último desígnio do
aflito, é capaz de revolver as entranhas da memória e agitar as
musas da inspiração. Basicamente, posso resumi-lo a um dia claro,
de sol bonito e muito, muito quente.
Ínvios e palavrosos caminhos são os
do escrevinhador.
Adiante: da companhia forasteira,
credora de primitiva desconfiança, afiançou créditos o escriba na
primeira perlenga instrutória e, do humano erro, concluiu a
semelhante condição arribando ao descanso, finalmente, o olho-vivo
que até então mantinha desperto – não fosse o diacho do
mafarrico, mesmo assim, tecê-las, torcê-las ou como lhe desse na
endemoniada gana.
Pois que o presente é o passado do
futuro, desde a criação assim se ordena e repousa o mundo nesta
sabedoria imorredoura: amanhã, o hoje será ontem; e o amanhã,
amanhã, hoje – confuso? Só para quem nunca errou pelo calendário
vagabundeando datas ou tropeçando nos ponteiros do relógio em fuga errática aos números do mostrador.
Mea máxima culpa, esqueci
o coador de palavras algures: eu simplifico - quem nunca perdeu o
tino à data, ou hora, de um encontro? Que atire a primeira pedra,
quem!
Os
meses têm 30 ou 31 dias, há outro que costuma ter 29 e, vez por
outra, apenas 28: que mal vem ao mundo trocar o dia 23 pelo 24?
Os romeiros desfrutam da sombra antes da infernal subida.

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