quinta-feira, 2 de julho de 2015

São João da Fraga - Do imponderável.

Depois da tempestade, a bonança; e o ar fica fresco e o dia claro como se nada houvesse ocorrido, o céu desabado em bátegas e os ventos furiosos varrido a superfície, arrastando elefantes à laia de folhas de plátano vogando, dolentes, a caminho do chão numa tarde outonal.
O parágrafo anterior é um exagero, facilmente detectável, no relato que empreendo mas, quando a inércia dita leis e a preguiça faz cama, nem a fé, último desígnio do aflito, é capaz de revolver as entranhas da memória e agitar as musas da inspiração. Basicamente, posso resumi-lo a um dia claro, de sol bonito e muito, muito quente.
Ínvios e palavrosos caminhos são os do escrevinhador.
Adiante: da companhia forasteira, credora de primitiva desconfiança, afiançou créditos o escriba na primeira perlenga instrutória e, do humano erro, concluiu a semelhante condição arribando ao descanso, finalmente, o olho-vivo que até então mantinha desperto – não fosse o diacho do mafarrico, mesmo assim, tecê-las, torcê-las ou como lhe desse na endemoniada gana.
Pois que o presente é o passado do futuro, desde a criação assim se ordena e repousa o mundo nesta sabedoria imorredoura: amanhã, o hoje será ontem; e o amanhã, amanhã, hoje – confuso? Só para quem nunca errou pelo calendário vagabundeando datas ou tropeçando nos ponteiros do relógio em fuga errática aos números do mostrador.
Mea máxima culpa, esqueci o coador de palavras algures: eu simplifico - quem nunca perdeu o tino à data, ou hora, de um encontro? Que atire a primeira pedra, quem!
Os meses têm 30 ou 31 dias, há outro que costuma ter 29 e, vez por outra, apenas 28: que mal vem ao mundo trocar o dia 23 pelo 24? 
 
 Os romeiros desfrutam da sombra antes da infernal subida.

Sem comentários:

Enviar um comentário