domingo, 28 de junho de 2015

São João da Fraga - prólogo

O rumor insinuava-se há várias semanas, preciso mas encoberto, quase disfarçado de informação burocrática e oficial: gente de fora, de longe, para além de onde a vista alcança, aportaria a nossos domínios partilhando uma calcorreada pelas serranias costumeiras.
Outros usos e costumes, dialectos e manias - sandice de quem escreve? Lá diz o povo: cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso! (o meu primo, serralheiro, assegura errata ao ditado: “cada porca com seu parafuso” - onde está a verdade?).
E o que o povo diz, é letra de lei.
Quase não dormi, comi mal e tive febre neste entretanto; dei baixa ao emprego e consultei o cura - “que não era motivo para tanto”, ”filhos do mesmo pai” e outras sentenças que não descortinei o alcance. É homem erudito, sabe latim. Não lhe disse que eram mulheres, os forasteiros.
S. João da Fraga seria o destino!, decidiu o conselho de sábios, temente a Deus, prodigalizando interesse na protecção do santo em prejuízo das belezuras do percurso – nunca se sabe quem lá vem e é bom ter uma capela à vista com o santo lá dentro, ainda que minima, mas à vista, branquinha, destacada dos penedios envolventes. “Não vá o diabo torcê-las!” - ouvi certa vez de um, torcido por 1 quartilho de branco da Lixa.
Adiante, que para a frente vem carroça: consultei mapas, enciclopédias, tratados e destratados; procurei resposta nas borras do café, no rasto das estrelas e no ralo da banheira.
Nada! O universo, aliado à força das trevas, conluiava-se contra mim.
Darth Vader, meu sacana, sei que és tu! 
I'll be back.

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