“Servem-nas na
costumada frigideira de barro, com os viçosos grelos e o formoso
ovo, de bela e apetitosa gema em meio da alvinitente clara.
Agora, no tempo
chuvoso e melancólico de Inverno, acontece que o meu jantar não
seja mais do que uma destas chouriças por prato único, a que
acrescento um pires de arroz doce com o seu enfeite de canela, um
queijo fresco, alguma peça de fruta, isto acompanhado com a
indispensável meia garrafinha de vinho do termo, e, para assentar
ideias, pôr justo termo ao ágape, o café com o honesto, o sério
cálice de aguardente. Cada um é como é, e eu regalo-me, fico de
consciência tranquila, apaziguado comigo e de bem com o mundo. Um
consolo de corpo e alma!”
in "Roteiro Sentimental do Douro" - Manuel Mendes
Ed. Afrontamento - 3ª edição
pág. 104
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