quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Vem aí o 22

Boas novas nos chegam do Ilustre decano: SARAVÁ!, Pereira da Silva! SALVE!, o exemplo de inquietação e mobilidade que quero para mim.

O Ilustre, por terras de Vilarinho da Samardã que acolheu o truculento Camilo Castelo Branco, um dos meus eleitos

"Nesta Samardã passei eu os descuidos e as alegrias da infância, na companhia da minha irmã, que ali casou, e aquele padre António de Azevedo, alma de Deus, missionário fervoroso, que me podia ensinar tanto latim, tanta virtude, e só me ensinou princípios de cantochão, os quais me serviam de muito para as acertadas apreciações que eu fiz depois das primas-donas. Bem se via que eu tinha a prenda. Aquele santo homem ignora que eu escrevo novelas, nem cuida que a humanidade gaste o seu dinheiro e tempo a ler histórias estranhas à salvação."

(In Memórias do Cárcere)


Um esteio a pedir meças a outro esteio! Não te cuides, Geodésico, não te cuides...

Como pãezinhos a sair quentinhos pela boca do forno, outro colaborador que se apresta a motivar-nos com a sua sugestão pictográfica: o dinamizador de andanças peripatéticas, conhecer pelo contacto, abraçar o meio.

Contudo, esta é, claramente!, um foto de estúdio: é por demais evidente a falha no chroma key... Boa tentativa, mas continuámos à espera de novas rotas.


São infindáveis as histórias sobre seres fantásticos habitantes das profundezas que, dominando as florestas e os caminhos e os rios, criam atalhos subterrâneos que lhes permitem desaparecer num ápice e aparecer mais à frente iludindo, assim, a vigilância dos perseguidores. Olhando para aquele início de túnel que começa a formar-se a meio do tronco de árvore carcomido, entendo, agora, súbitas aparições da Maria José, lá longe, já a meio da encosta, quando ainda há pouco passei impante por ela. Vou ficar atento...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Vem aí o 22.

Lançado o desafio aos Caros amigos para que se apresentassem numa fotografia, à escolha, mas que significasse a resiliência (palavra tão em voga) que se exige para voltarmos todos juntos às Alice's desta terra.

Assim, o primeiro desafiado a chegar-se à frente, foi o motoqueiro Jorge, amante das duas rodas e 3 rodelas de salpicão, que nos presenteia com o registo fotográfico de um belo passeio de mota. Apesar da parca informação que me chegou, sei-o porque guarda o capacete debaixo da camisola.


Logo após, o Paulo Ferreira brinda-nos com um pedaço de natureza captado pelo seu olhar límpido e cristalino. Deixando em paz batráquios e similares, o célebre fotógrafo-time-lapser-engenheiro-empresário-piloto de drones-videasta-desenhador-formador e devorador de trutas em escabeche, ensaia uma abordagem inovadora e ousada: a interpelação telepática. O perfeito domínio da técnica da imobilização animal: há 3 horas que recebi a foto e o bicho ainda não se mexeu.


Por fim: eu, entre a quinta e o sábado, procurando uma ponte. 


Aguardando resposta pronta e sempre excelsa dos demais convidados, aqui voltarei assim seja necessário.  


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Saudade dos Sabores do Alvão

À laia epopeia futebolista, expôs-se o repasto em formato dérbi acalorado: Cabrito /Cabidela.

Prélio dos mais famosos, renhido - e roído!, até até ao osso - tutano, dirão alguns!, eis a suprema gula manifesta na essência vaporosa dos perfumes exalados, aromas etéreos, celestiais e puríssimos a invadir cada uma das narículas que nos furam as ventas.

O Cabrito, mestre em cabriolas, empinado nas vertentes da serrania, apura a chicha suculenta em dieta de rebentos e tais, furando a pedra dura e resistindo com indómita vontade ao ciclone bravio das terras altas.

O Frango Pito Galo Galinha, duro de carnes, carnes duras picadas no chão, alimento assim disperso e a fazer-se difícil, como mulher-galinha que se afasta aproximando-se do golpe de asa que lhe lançámos.

Mesa redonda, sem início e sem fim, acolhendo 8 comensais num prenúncio de infinito; após o sexto dia da criação e o sétimo de descanso, o oitavo dia representou a conclusão da magna obra e o dealbar de um novo ciclo. 

Eis-me aqui, Senhor, à farta mesa tua. Acolho o tubérculo assado, divina dádiva a desfazer-se cremosa enfeitiçando o palato em sensuais arremedos de sabores. Quase peco em distração ao trincar couve tronchuda, prenuncio rude disfarce de magnanimidade - que altos desígnios enterrados em atroz apodo!

VADE RETRO, SATANA!, que te insinuas langoroso ao meu olhar derretido na calda cabidela: concupiscível, carne, imoderado apetite - ardo no inferno do pecado, bendita gula!

Que jorre o vinho a tintar alvas toalhas! Soro de vida, água transmutada, sejam estas as Bodas de Canã, o milagre inicial, inteiro e limpo (obrigado, Sophia!).

Recolhei-vos ao calor úbere deste templo, fértil, fecundo, e remi pecados na abundância presentada, o excesso oferecido e desinteressado, a Graça que vos acolhe.