terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Saudade dos Sabores do Alvão

À laia epopeia futebolista, expôs-se o repasto em formato dérbi acalorado: Cabrito /Cabidela.

Prélio dos mais famosos, renhido - e roído!, até até ao osso - tutano, dirão alguns!, eis a suprema gula manifesta na essência vaporosa dos perfumes exalados, aromas etéreos, celestiais e puríssimos a invadir cada uma das narículas que nos furam as ventas.

O Cabrito, mestre em cabriolas, empinado nas vertentes da serrania, apura a chicha suculenta em dieta de rebentos e tais, furando a pedra dura e resistindo com indómita vontade ao ciclone bravio das terras altas.

O Frango Pito Galo Galinha, duro de carnes, carnes duras picadas no chão, alimento assim disperso e a fazer-se difícil, como mulher-galinha que se afasta aproximando-se do golpe de asa que lhe lançámos.

Mesa redonda, sem início e sem fim, acolhendo 8 comensais num prenúncio de infinito; após o sexto dia da criação e o sétimo de descanso, o oitavo dia representou a conclusão da magna obra e o dealbar de um novo ciclo. 

Eis-me aqui, Senhor, à farta mesa tua. Acolho o tubérculo assado, divina dádiva a desfazer-se cremosa enfeitiçando o palato em sensuais arremedos de sabores. Quase peco em distração ao trincar couve tronchuda, prenuncio rude disfarce de magnanimidade - que altos desígnios enterrados em atroz apodo!

VADE RETRO, SATANA!, que te insinuas langoroso ao meu olhar derretido na calda cabidela: concupiscível, carne, imoderado apetite - ardo no inferno do pecado, bendita gula!

Que jorre o vinho a tintar alvas toalhas! Soro de vida, água transmutada, sejam estas as Bodas de Canã, o milagre inicial, inteiro e limpo (obrigado, Sophia!).

Recolhei-vos ao calor úbere deste templo, fértil, fecundo, e remi pecados na abundância presentada, o excesso oferecido e desinteressado, a Graça que vos acolhe.




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