terça-feira, 24 de janeiro de 2023

À neve, todos à neve!

Por não saber o que escrever, hesitei bastante antes de postar prosa. É que a última expedição acarretou insondáveis desígnios de alma que teimam em respirar.

O Alvão continua no sítio, apesar da rotação da terra e da notícia recente da possibilidade de o seu núcleo ter parado de girar mais rápido do que o globo e invertido o sentido da própria rotação.

Acho que andámos todos à roda.

Assunto fértil em investidas foi o Areião, que o astrónomo amador, investido da mais recente parafernália tecnológica, não deixou esmorecer no entusiasmo transbordante do sol em Janeiro.

Confesso a minha pouca propensão para interesse no assunto - pouco sei das qualidades da areia, quanto mais discutir sobre técnicas de extracção da mesma! Contudo, creio ser necessário apontar um telescópio para o Pólo Norte e esperar o alinhamento dos astros...deve ser a influência gravitacional da lua. Acho que o M. vai avançado na discussão; assim como no terreno.

Outro ponto assaz pertinente, discutido entre um naco de alheira e uma azeitona, regado a tintol, foi o posicionamento dos astros aquando do nascimento - parece que já mudou a ordem e, agora, sou Touro.

Não sei se é bom, ou mau. Ou vice-versa.

Foi o aspirante a astrólogo quem nos revelou a nova disposição, ainda que não houvesse deitado cartas. Ou lido os búzios.  E sem apontar o binóculo para o Pólo Norte, como sugestão do M.!

Um pormenor intrigante está relacionado com o vinho; é que o P. referiu-se diversas vezes à nebulosa e eu estranhei, pois calhou meia garrafa a cada um. Não sei como foi possível ele estar nebuloso com tão pouco - e nem provámos o xiripiti!

O positivo que se extrai destes encontros é a multiplicidade de ocasiões em que o mesmo assunto pode ser discutido - nada fica por dizer entre nós. À observação loquaz sobre uma qualquer matéria, emitida por um qualquer interveniente, logo outro vem à pedra brandir a mesma questão alertando-nos para a singularidade do assunto; não é pouca coisa quando, um terceiro emissor, vem reforçar esse pendor extraordinário e avisar-nos do fenómeno espraiado a nossos olhos.

Observadores, é o que somos!

À noite fomos ver as estrelas. 

Creio em interessados na deslocação a uma casa de diversão nocturna - pelo menos, foi o que depreendi de tanto ouvir falar em Andrómeda. Só pode ser nome de boite!

Do resto não mais dei conta: refugiei-me no interior do carro e passei pelas brasas. 

Será isto a extracção do areião?

1 comentário:

  1. Como sempre, uma abordagem ao tema muito sucinta e clara. Não fosse o facto de no dia seguinte ter de me deslocar a Pitões das Júnias, e teriam de me aturar noite dentro.

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