quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Da leitura.

Relembrando o último "recado" posto neste local de pluralidade democrática, onde se arengava sobre leitura e afins, retomo o tema procurando influenciar o gosto pela leitura, assim como o mestre-escola a verter penalidades sobre as cabecinhas infantis dos petizes amantes, apenas, da bela bola de couro - a mais que o tempo lá fora desconvida ao céu aberto obrigando à clausura.

Posto o intróito - o corrector acabou de sublinhar a palavra "intróito" como desconhecida ou grafada erradamente; como está bem escrita, sou levado a pensar, por exclusão de partes, do desconhecimento do corrector. Concluo, assim, da falta de leitura do corrector do Google. -, torno conhecidas as obras que enxameiam a mesa-de-cabeceira que dorme a meu lado.

A pedirem regresso às estantes por inutilidade, pois já lidas, estão estes dois mistérios policiais provindos das míticas colecções temáticas existentes no mercado no século passado. Baratas e de fácil aquisição, estas edições providenciaram leitura e divertimento numa época cinzenta e sombria da nossa história, momento castrador e normalizadorde um "certo e determinado" pensar.

Para além do serviço das traduções, pagamentos que serviam para por uma refeição na mesa, muitos autores escreviam sob pseudónimo, geralmente nomes em inglês, pois era a maneira encontrada para enganar a censura - como toda a gente sabe, o crime estava ausente de Portugal naquela época, logo, seriam apenas ocorrências acontecidas para além fronteiras.


São livros cuja leitura consome 2 ou 3 serões de "Big-Brother", 4 episódios de novela gémea boa/gémea má, ou meia-dúzia de visitas ao facebook e actualização do instagram com o registo do último par de meias comprado na Primark.

Os ambientes descritos são uma diversidade imensa, correndo do básico "tiros e bombas e socos nas trombas" aos tratados de lógica e dedução empregues no deslindar do crime. São mais que meros "passatempos", algo que se lê entre a "literatura séria" - são um excelente fornecedor de ambientes e recursos de escrita.


Em leitura, um dos "duros", também ele um clássico: Carter Brown.

A acrescentar ao prazer da leitura, as imperdíveis capas - já não se fazem capas assim - a atravessarem os temas Exploitation, Série B, Gangsterismo e outras correntes gráficas usadas na identificação destas obras. Muitas capas, das mais variadas colecções, foram trabalho de artistas consagrados (da pintura às artes-gráficas), que, por necessidade, faziam este biscate criando autênticas obras de arte na maior parte das vezes ignoradas.

Como tenho algumas centenas de obras, posteriormente trarei aqui uma colectânea de capas dos mais variados estilos gráficos a fim de se aquilatar da qualidade do material.

Por fim, uma leitura de escape ou evasão, vício que alarga as fronteiras e a vista criando formigueiros de impaciência à tona da pele.



A premissa é básica: início dos anos 80, Inglaterra; escritor publica um anúncio procurando "esposa" para passar um ano numa ilha remota dos mares da Austrália; jovem louca responde favoravelmente e, por imposição dos serviços de emigração australianos, são obrigados a casarem-se antes da autorização para permanência. Narrativa desse ano passado entre os "guinéus.



Convite à leitura de um pouco mais que as placas da auto-estrada.


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