O rumor insinuava-se há várias
semanas, preciso mas encoberto, quase disfarçado de informação
burocrática e oficial: gente de fora, de longe, para além de onde a
vista alcança, aportaria a nossos domínios partilhando uma
calcorreada pelas serranias costumeiras.
Outros usos e costumes,
dialectos e manias - sandice de quem escreve? Lá diz o povo: cada
terra com seu uso, cada roca com seu fuso! (o meu primo, serralheiro,
assegura errata ao ditado: “cada porca com seu parafuso” - onde
está a verdade?).
E o que o povo diz, é letra de lei.
Quase não dormi, comi mal e tive febre
neste entretanto; dei baixa ao emprego e consultei o cura - “que
não era motivo para tanto”, ”filhos do mesmo pai” e outras
sentenças que não descortinei o alcance. É homem erudito, sabe
latim. Não lhe disse que eram mulheres, os
forasteiros.
S. João da Fraga seria o destino!,
decidiu o conselho de sábios, temente a Deus, prodigalizando
interesse na protecção do santo em prejuízo das belezuras do
percurso – nunca se sabe quem lá vem e é bom ter uma capela à
vista com o santo lá dentro, ainda que minima, mas à vista,
branquinha, destacada dos penedios envolventes. “Não vá o diabo
torcê-las!” - ouvi certa vez de um, torcido por 1 quartilho de
branco da Lixa.
Adiante, que para a frente vem carroça:
consultei mapas, enciclopédias, tratados e destratados; procurei
resposta nas borras do café, no rasto das estrelas e no ralo da
banheira.
Nada! O universo, aliado à força das
trevas, conluiava-se contra mim.
Darth Vader, meu sacana, sei que és tu!
I'll be back.