sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Falares da nossa terra - III

Para aqueles que fazem do "carago!" uma esqusitice linguística quase a roçar a paródia, o que andam a perder  em fascínio habituados que estão ao português polido da bem parecença modernaça.

Olha: diz-lhe que sim e mais que também!

Cabeçada de cavalo – algo que não saiu a contento;
Cabras – inflamação das pernas provocada pelo calor da lareira. Para as evitar, algumas mulheres faziam umas capas de papel pardo, colocando-as entre as meias;
Cabrita – névoa que surge nos olhos;
Cachorro-rateiro – pequenito;
Caçoila – tijela com asas;
Caçurra – porrada
Caguei não tenho, vou ali já venho – virar costas a alguém;
Cala quem deu, fala quem recebeu – um procedimento correcto, pois quem oferta não deve propagandear ou gabar-se disso;
Cama de urtigas – faziam-se para arredar as febres das crianças, através da elevada transpiração causada pela comichão das ervas estendidas entre as mantas;
Cambais – ruas da aldeia. Diz-se: corer os cambais;
Cambiço – indivíduo alto e magricelas;
Cantar as três Marias – estar eufórico;
Caráspita – ora bolas!;
Carne atormentada – mal cozida;
Carreira-de-Santiago – Via Láctea;
Catancho – interjeição de surpresa: ora bolas!; caramba.
Catramoiço – pessoa volumosa, desengraçada; queda em série, em pilha;
Catrapó – que caminha com lentidão;
Cavanir – fugir; sair sem pedir licença;
Chá de quelha – urina;
Chavasca – conversa sem tino;
Choveu tanta água que até os cães a podiam beber de pé – chuva abundante,  alagadiça;
Coalhado de gente – à pinha;
Coche-coche – interjeição que significa: porra; não vou nisso; o mesmo que bô-bô;
Coisa assim… - expressão de admiranço;
Comei farelo – ide à bardamerda;
Conversa – frio que penetra através de janelas ou portas;
Correr o cão – vadiar, deambular;
Criado atrás dos tojos – de má catadura, de má criacção e formação cívica e ética;
Cu de sono – dolente, dorminhoco;

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