Cumprindo a etapa final entre Vila Nova de Foz Côa e Almendra sob um Sol escaldante, avistei no asfalto, à berma esquerda da estrada, um caminhante que, havia dias, cruzara caminho em Gaia, no início da estrada.
Reconheci-o pelo chapéu de abas caídas que protegem as orelhas; ora, portava um girassol preso à mochila, certamente recolhido em qualquer recanto e que lhe conferia um aspecto...singular, pintando o cinzento atroz da estrada de um colorido alegre. E, então, apercebi-me do espanto que hei de ter causado a tantos com que me cruzei andando eu a pé e de mochila às costas em qualquer encosta íngreme ou estrada inclinada, lançando insanáveis dúvidas ao passante cómodo em viatura motorizada. "Mas o que fazem estes malucos debaixo desta chuva grossa, completamente encharcados?", "Qual o prazer em arrastar a sola das botas por quilómetros infindos de piche? Não há comboios?!"
Ainda está para nascer o pápa-quilómetros que diga nunca haver sentido o peso do olhar de dúvida e incredulidade daqueles com que se cruza!
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