Um inútil é um inútil; e um outro inútil, é um outro inútil.
O inútil exibe despudoradamente o ridículo da sua condição, não perdendo feição para a exibição oca da aridez que o alimenta.
Qual piranha de dentes aguçados num rio tropical, assim é o inútil plasmado nas plataformas digitais.
O inútil é insaciável na demonstração da vacuidade, ostentando orgulhoso o pendão imprestável da sua linhagem.
Inexiste, o inútil, o verme, o parasita.
O inútil, quando abandona a pocilga onde resfolega pestilências, aventura-se impante na A2: seguro, conhecedor, decidido - tal como os bois no monte ao fim da tarde no regresso à corte!
É o máximo esplendor do inútil.
Acossado pelo vírus, o inútil reinventa-se na sua insignificância e molda-se influencer: é viajado, é viajante, o inútil; fala Lisboês e veste-se em Paris - é o que diz!
Descobre um país além fronteiras do seu bairro, do seu aido. Reclama para si os louros, o inútil!
O inútil-descobridor-inútil não lê; não ouve; não vê; não sabe; desconhece.
O inútil-descobridor-inútil maneja a inveja, alimenta-se do ranço e fede a peste.
O inútil-descobridor-inútil não partilha pois não há com quem o fazer: apenas ele existe, o inútil.
O inútil-descobridor-inútil vai ao Douro, ao Gerês, ao Minho, maravilha-se consigo próprio por haver descoberto - só ele - uma maravilha de Portugal e, por emérita virtude, partilha na capa de revista o segredo e os incontáveis recantos da região que apreendeu em 2 dias fechado no Spa; ou o roteiro secreto que apenas ele, o inútil, conhece e se dispõe a mostrar em directo televisivo.
O inútil é a sanguessuga que se alimenta do próprio sangue; o inútil devora as próprias fezes para delas se alimentar; o inútil é autofágico, devora-se a si próprio.
O inútil é a imagem viva de parte deste País; não a maior, mas a mais influente, a mais presente, porque nos chega pela televisão, pela rádio, pelos jornais.
Eu, não preciso do inútil de merda para saber coisas do meu país de Norte a Sul porque sempre me interessei por ele.
Eu, não preciso do inútil de merda para saber aonde procurar o que me interessa, o que me agrada, o que quero.
Eu, não preciso do inútil de merda para nada; nós, o País inteiro, não precisamos do inútil de merda para nada.
À bardamerda com o inútil!
Sem comentários:
Enviar um comentário