sexta-feira, 28 de junho de 2019

Documento da semana

Preciosidade editada pela Câmara Municipal de Montalegre nos idos anos 92 do séc. passado, tendo por autor o pd. João Martins Rodrigo.
De assuntos da alma estamos precavidos de apoio e sabedoria; restam os assuntos do corpo que o sr. Padre tão sábiamente conforta nesta prosa de engordar.


A págs. 10 e 11, do cap. I, escreve o pd. Fontes: " Os melhores mimos do porco já estão prometidos antes de morrer. Se não morrer, uma cria é sempre para o Stº. António. Dos que se cevam para matar em casa, ainda se volta a oferecer ao santo a cachola, os pés e por vezes as chouriças.
O matador leva parte do lombo. O Pároco é presenteado com a assadura do lombo e língua, os agarradores comem o sarrabulho. Os presuntos secos e afumados são para presentear amigos a quem se pagam favores, o médico, o advogado, o amigo que arranjou emprego e para os amigos que entram pela porta.
O Pissalho é dado aos ciganos, e a bexiga aos rapazes para bufarem e jogarem  no Entrudo. (sublinhado meu: o pissalho é mesmo o que aparenta ser; como é interessante verificar que aos ciganos estivesse destinado pelas gentes das aldeias, como um sínal de humilhação ou desprezo.) 
A magia envolve o porco. A água da pia dos porcos cura o rabunhão deles.
O sal que se lhes deita ao sair de casa é para esconjurar o mal, e a arruda que se leva no bolso é para o mau-olhado. Quando se estruma a corte de novo, deita-se sal na corte por causa do bobado, ou mijo do lobo.
A lua tem o seu poder. Não se deve matar o porco a não ser no quarto crescente, porque no minguante minga a carne, e na lua nova rompem-se as tripas.
A lenha também tem influência para afumar. A melhor é a de carvalho, carqueja, torgo. A pior é a de giesta.
Se te convidarem a uma matança é prova de estima e amizade. Aproveita, come o caldo da matança, mas não comas o caldo do entrudo, que dá muitos piolhos."

Quanta filosofia numa sande de presunto!

Eu que intuí com Kant; que me perdi no Ser em Heideggeer e nas verdades subjectivas e objetivas de Kierkegaard tinha o mundo numa sande e numa malga de vinho.

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