quarta-feira, 20 de maio de 2020

TROFÉU COMEZAINA - V

Joaquim Mota:
(clicar para ampliar)

"Ora vamos lá ver quem são os cromos que sempre apanho nas caminhadas por estes montes e vales e que constam desta foto e mais dois que lá não estão (que me desculpem).

O primeiro tem de ser aquele que, mal paramos para o pequeno-almoço…. Então onde está ele? Lá anda ele de máquina em punho, longe “já são horas de trabalhar” depois chega á mesa e nós já estamos de saída, lá teremos de esperar um pouco, mas de facto é o primeiro a iniciar as hostilidades, e quando avistamos um acidente geográfico digno de nota? Se calha algum balbuciar se valerá a pena visitá-lo, houve logo um “Nós estamos aqui para trabalhar” e tanto trabalha que volta e meia esfuma-se, para tudo e todos há que procurá-lo, por vezes obriga um voluntário a fazer uns quilómetros, porque, tão obcecado pelo trabalho, é difícil alcançá-lo para lhe dizer que estão todos para o outro lado.

Um outro, pouco depois de iniciada a caminhada, “Já estou a sentir falta de incentivo, isto assim custa” como ainda é cedo ninguém se lembra a que se refere. Á hora do café é uma chuva de lamúrias, “Isto não são condições ora chove ou venta ou faz frio e estes copos!” Mais uma ou duas horas e lá vem outra vez “isto está fraco, assim não se consegue caminhar, ainda não se sabe o que é o jantar, esta organização vai levar uma repreensão” Bom! Deixámo-lo sofrer um pouco mais e depois lá se anuncia onde vai ser o repasto e é quanto basta lá vai ele como se estivesse a começar a caminhada, já ninguém o apanha “Quanto mais cedo acabar mais cedo me sento à mesa” e depois da refeição… “A organização esteve muito bem”.

Este é que é…. Lá vamos nós progredindo e de repente estaca, todos ficam a olhar, que será? Um corso? Um javali? Uma rena? Hii, Hii nada disso lá conseguimos ver com dificuldade ao longe em cima de uma penedia umas cabras, há é isso! “O quê? Nada disso, é um mosquito a azucrinar uma cabra” e tu vês isso? Huuummm… O tempo vai passando, alguém olha para o relógio e manda apressar o passo se querem cumprir o planeado. Volta o mesmo personagem “Vão andando que eu vou timelepsar um pouco e já vos apanho”, um bom tempo depois lá está á nossa frente sem darmos por isso.

Este outro, durante o percurso, muda de semblante como o tempo muda na montanha, durante a subida LLL uiiiiii “Isto vai ser sempre assim, por quanto tempo? Quantos quilómetros? Não é melhor parar um pouco? É que está um calor!” e por aí fora, um rosário, bom um terço. Chegados ao cimo “Já chegamos? JJJ  até nem foi mau, só para ver a paisagem”. Depois de mais uns bons quilómetros, agora na descida e com umas boas horas em cima dos pés lá muda ele o semblante LLL.  Chegados ao carro e depois de trocar de calçado e um pouco de descanso volta á primeira fase JJJ. Tudo está bem quando acaba bem, eu também fico JJJ.

E que acham deste? É aquela máquina a andar, mas… Já lá vamos. Anda que se farta, não há obstáculos (pudera, tem as pernas grandes) se se adianta do grupo segue sempre o seu caminho cheio de confiança até que o grupo, já longe, grita-lhe – nós vamos por ali- e ele responde, sem se desviar “apanho-vos adiante”. Muito tempo depois de o perder de vista lá aparece ele a intercetar o nosso caminho, que precisão. Confiança só beliscada pelo relógio, é que soa a hora da canção para o sol se deitar e lá começam as mensagens verbais “O carro está muito longe, é melhor fazer a volta, vai escurecer não tarda, nunca se sabe”. Não sei porquê no inverno é mais sensível.

Agora este. Acho sinceramente que não caminha. Nunca o vi com equipamento próprio de montanha, não precisa! Nunca ouvi o mais pequeno queixume, mesmo depois de muitas horas e quilómetros, subidas ou descidas, etc. E a serenidade, nem se dá por ele, ou antes ele não está lá, mas garanto que o vi, por várias vezes, em cima de uns penedos a deliciar-se com a aragem, o perfume e a frescura do ar, as cores da natureza os sons do vento e das águas dos ribeiros, mesmo que distantes, enquanto o grupo passa sem se atrever a perturbar é que ele pode estar lá.

O último elemento, que é de facto o primeiro, quer pelo género quer porque é o que anda melhor, não entrem em competições (em caminhadas) com este por que é derrota assegurada, leve como o vento e tem neste, a maioria das vezes, um aliado. Além de outras especialidades (principalmente á mesa. Uiii), na fotografia bate qualquer, sim! Quantas vezes já viram o nosso premiado fotógrafo em troca de informação com este, que é o mais baixo, e com uma minicâmara. Não é justo compararmos as fotos de um e outro assim devido á diferença do equipamento, também não podemos tirar a prova fazendo um teste entre os dois trocando o respetivo equipamento pois é preciso comer um boi para arcar com o equipamento mais profissional. Um dia quando ela submeter as suas fotos vão ficar espantados, eu sei que já as vi. Vão por mim.

Por último o fugidio, tem uma resistência de invejar e anda sempre na frente mas, não sei se por distração se concentrado nos temas da fotografia, desaparece, então se tem uma companhia que lhe dê trela, uiii, uiii, desaparecem os dois o que obriga a mais um voluntário forçado para os trazer de volta ao bom caminho. Não gosta é nada de ver o chão longe das solas, porque meia dúzia de metros é um precipício que dá tonturas que pode levar qualquer um a confundir a vertical do lugar com a linha do horizonte.

Para terminar acho que andamos todos pelo bom caminho, porque esse é aquele em que andamos todos juntos, que é afinal, o que fazemos. Boas caminhadas".

A próxima desafiada leve como o vento lançará numa aragem de Primavera o seu contributo até ao próximo 27.

2 comentários:

  1. Parabéns, António Mota. Na sua brilhante charada acho que consegui apanhar um pouco da essência e caraterísticas que nos distingue individualmente. Mas uma coisa é certa, depois de ler e reler o texto, todos juntos formamos um verdadeiro espirito de grupo, ou seja, reunimos aquela motivação e vontade que nos faz continuar a calcorrear montanhas e vales. Podemos fazer nosso o lema "MAIS ALÉM, MAIS ALTO E MAIS FUNDO". Abraço

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  2. Muito cuidado ao propor "mais além é mais alto", o nosso guia pode tomar isso como a nossa vontade e não é... Muito cuidado!

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