terça-feira, 28 de abril de 2020

Dos livros.

"-Mas pulou no cangote do zebu?
- Que óte! Que ú!...Você acredita que ela não teve coragem?! Naquela hora, nem o capeta não era gente de chegar no guzerá velho-de-guerra. Nem toureiro afamado, nem vaqueiro bom, Mulatinho Campista, Viriato mais Salathiel, coisa nenhuma...E, quem chegasse, era só mesmo por ter vontade de morrer suicidado sem querer...
- Ixe!
- Mas o Calandu cada vez ia ficando mais enjerizado e mais maluco, ensaiando para ficar doido, chamando a onça para o largo e xingando todo nome feio que tem. Aquilo, eu fui bobeando de espiar tanto para ele, como que nunca eu não tinha visto o zebu tão grandalhão assim! A corcunda ia até lá em baixo, no lombo, e, na volta, passava do lugar seu dela e vinha pôr capéu na testa do bichão. Cruz! E até a lua começou a alumiar o Calundu mais do que as outras coisas, por respeito...
- Eu estou quase não acreditando mais, Raymundão...
- Bom, pode ter sido também uma visão minha, não duvido nada...Mas, então foi que eu fiquei sabendo que tem também anjo-da-guarda de onça!..."

"Sagarana" - João Guimarães Rosa
Ed. Nova Fronteira, págs. 36/37

sábado, 25 de abril de 2020

Vá para dentro, cá fora.

Sabes que o confinamento está a afectar-te quando sentes as paredes da sala avançar para ti, silenciosamente mantendo a esquadria, tentando aprisionar-te; quando a casa de banho é cada vez mais pequena e temes morrer afogado na sanita, emboscado pelo espelho e o móvel de arrumação das toalhas; quando a cadeira em que te sentas parece mais e mais pequena a cada dia que passa... não!, isto não é efeito do confinamento: estás mesmo a ficar gordo! 

Em pleno dia da Liberdade, não será um Covid-qualquer-coiso a impedir-nos de viajar ou "perder países", como Pessoa definiu o acto - ainda que de maneira outra. A fotografia é a lembrança primeira que ocorre quando pretendemos viajar sem sair do sítio; avivar memórias é um saudável exercício de estimulação intelectual e reavivar de sensações. 

As revistas e álbuns são outro manancial absurdo de informação visual sobre países e lugares; se acrescentarmos a valia de por lá haver passado, então será um magnífico exercício de memória; e se, mais dramaticamente ainda, a revista, álbum ou que que seja for antigo, então será um fantástico exercício de imaginação, observando as mudanças ocorridas, ou então, como passados anos, o local se mantém praticamente inalterado.

As fotos abaixo são de alguns roteiros e guias antigos que vou comprando, buscando informações que "caíram em desuso" - seja pela pressão turística que opta por outras rotas e interesses na região ou simplesmente aconteceu assim -; para confronto de mapas da rede viária de anos diversos ou, simplesmente, para fruição das fotografias e aspectos particulares da época.

Outro aspecto interessante a verificar nestes guias/roteiros é a transformação, no tempo, daquilo que é "turístico", que pode ser apresentado como tal.; a manutenção de clichés bafientos assentes numa exaltação de "vãs glórias" até uma visão mais abrangente de um todo multidisciplinar apresentado como destino turístico, baseado nas múltiplas vivências do local.










Que ninguém fique em casa!

sexta-feira, 24 de abril de 2020

25 de Abril: vem ter comigo aos aliados.

 
Aqui começa a terra prometida
Podes entrar ou estar de saída
Ainda é cedo para parar

Teremos tempo para dormir um dia
Trocar o medo pela fantasia
A vida não pode esperar

Esta noite foge comigo
Só no amor somos sem abrigo
Este beijo é de amor antigo
Fomos abençoados.

Este é o Porto de todos os barcos
Chegam os loucos voltam encantados
e é por ti que o Douro canta fados
Vem ter comigo aos Aliados.

Em 5 horas vou de norte a sul
Sangue de todos e de cada um
O meu é vermelho, o teu azul
Hei de te encontrar

Estaremos vivos ao amanhecer
Neve dá pastos que não têm poder
Esta é a luz dos que hão de nascer
E eu hei de ajudar.

Esta noite foge comigo
Só no amor somos sem abrigo
Este beijo é de amor antigo
Fomos abençoados

Este é o Porto de todos os barcos
Chegam os loucos voltam encantados
E é por ti que o Douro canta fados
Vem ter comigo aos Aliados.
Pedro Abrunhosa

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dia da Terra

E ainda há quem falte aos treinos para andar a fazer coisas destas!


Não percebo certas prioridades, é o que é!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

CPI 19

Precisamente há 1 ano dava início à Operação CPI 19 - Caminho Português Interior de Santiago. Saídos do Porto na quinta-feira santa na camioneta da carreira com destino a Viseu, eu PS, e ele JS - por razões de segurança, usarei os nomes de código -, estabelecemos contacto visual com a base de apoio inicial após demorada e minuciosa busca em território hostil.

O Q.G. foi pródigo e generoso na refeição dessa noite - poderia vir a ser a única decente durante... quase: 3 semanas! 

ALHEIRA DE URTIGA, e mais não digo!

nome de Código: XXL - restaurante e snack-bar;
coordenadas GPS:Rua Dr. Asdrúbal Moreira da Cunha, Viseu
traços particulares: fica num prédio...em Viseu.

Depois...bem, depois, foram 17 dias guiando-nos pelas estrelas ou pelas caganitas de pombo deixadas pelo caminho; pelo fiapo esbranquiçado das nuvens ou pelo musgo no tronco das árvores, todas as evidências indicavam o Norte, sempre para Norte. A natureza, com os seus sinais imperceptíveis, quase invisíveis, complementa o aturado treino de orientação a que somos submetidos na rotina desta missão.

Ao 6º dia estabelecemos contacto visual com o elemento infiltrado proveniente do exterior; no dia seguinte, a abordagem foi verbal - em estrangeiro. Ao 9º dia, penetrámos em território inimigo: estávamos por nossa conta d'ora em diante - até Compostela!


O título que encima a publicação é, claramente, uma ironia com a designação desta terrível pandemia, que nos obriga ao confinamento e reclusão, por oposição total à liberdade plena de uma mochila à costas.


Das linhas imaginárias

Quando a realidade supera a ficção estamos em presença de um daqueles factos que fazem abrir a boca de espanto que, resgatados ao baú das improbabilidades, municiam os argumentistas de material de primeira-apanha para o seu mister.

A medida de confinamento concelhio decretada pelo Estado, no âmbito da contenção provocada
pelo Covid-19, não é perfeita nem o pode ser; atendo-nos apenas à questão prática, o território é vasto e disperso na sua ocupação e qualquer acção de raio generalizado iria, muito provavelmente, esbarrar numa qualquer peculiaridade que não impediria a realização do plano mais abrangente, tal como decidido - e esbarrou, claro! 

Em Vale do Poço, "aldeia encravada na zona de serra, na margem esquerda do Guadiana", o pânico andou à solta por entre os seus pacatos e ordeiros 50 habitantes na tentativa de cumprir as demandas das forças da ordem. Por via do dito plano que impediu a circulação entre concelhos, o dilema das gentes da terra impôs-se, qual Adamastor provocando dúvida e desconfiança, "com a população sempre a olhar por cima do ombro" não fosse a autoridade subitamente aparecer, pois se a "rua principal está dividida entre Mértola e Serpa"! 

De um lado, Mértola, as mercearias, a oficina de automóveis e até o take-away da restauração; do outro, "ficam os correios, a casa mortuária, a serralharia e a queijaria". 

Mas como em qualquer argumento digno desse nome, a pierre de touche apresenta-se-nos impante, descoroçoante na forma e feitio como nos tira toda e qualquer força reactiva, sugando ávida a ínfima gota de ânimo que ainda nos sirva de candeia: a gasolineira fica na "E.N. 265, que liga Mértola a Serpa", onde se abastecem "os condutores da aldeia e lugares de ambos os concelhos".  

10/04/2020, Jornal de Notícias





Esta coisa das fronteiras é matéria chata, peganhenta, não deslarga;  sejam elas físicas, aparentes ou apenas sugeridas, arrastam um sentido de impedimento a cujo respeito devemos sempre obediência sob pena do opóbrio do pecado.

E eu, por não gostar de impedimentos...ou por ser pecador...ou por simples desfastio, lembrei-me de um certo dia, lá para os lados de Pitões das Júnias, bem juntinho à linha de fronteira imaginária balizada pelos marcos de granito, na companhia da tropa costumeira, haver ido e vindo 27 vezes à Espanha em menos de 10 minutos - contrabandistas do meu pais: julgai-vos vingados!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

O Tardo

Ainda em torno destas andanças junto da cultura popular e de como tantas das nossas motivações são por ela manietadas e manipuladas, sem que estejamos seguros do nosso domínio sobre estas "forças" invisíveis - embora o neguemos -, lembrei-me do TARDO.

O TARDO é um ser mitológico do folclore português, a  par de tantos outras, como os OLHARAPOS, as HIRÃS, o TRASGO ou as JANS. 

Nenhum destes elementos é absolutamente exclusivo de uma cultura portuguesa; são, antes, manifestações aportuguesadas de elementos exteriores comuns a povos habitantes de regiões longínquas e que a roda do mundo leva - e traz - num movimento constante. A semelhança entre lendas de países tão distantes, apenas diferindo nos apontamentos locais, é uma constante verificável nos diversos estudos do tema. Embora a uma velocidade bem menor, também a informação corria de um lado para o outro.

Para um esclarecimento atento, cuidado e  inestimável, é imperioso socorrer-me de José Leite de Vasconcelos e deste Tradições Populares de Portugal, um tratado que havia de ser ditado à criancinhas desde o berço para que, mais tarde, não viessem a considerar o Halloween como a cena mais fixe!


Então, a págs. 317, " § 362. O TARDO. a) O Tardo é o Diabo, e anda só de noite. De alguém que costuma andar de noite, diz-se:«Aquele é como o Tardo» (Guimarães). b) O Tardo anda de noite e vai afrontar à cama algumas pessoas, que depois acordam com um grande pesadelo. O Tardo chama-se também o Pesadelo e o Tardo Moleiro (Gondifelos). c) Na Maia um lavrador disse-me o seguinte: « O Tardo num é o Diabo: é um bicho mau tal e qual coma um cachorro piqueno. Se alguém for por um caminho, de noite ou de dia, e o Tardo lhe orinar nas pernas, a pessoa fica intardada, e depois num sabe já p'ronde há-de ir; só c'o tempo é que se desintarda. O Tardo aparece em caisquer caminho; mas nos regatos é pior». d) Em Aveiro parece que lhe chamam Tardo, porque ele vem tarde. e)  Segundo algumas versões, o Tardo é o Lobisomem. f) Gente de Avanca (Douro) disse-me que o Tardo aparece na figura de um gato, cão, cabra (cf. este § em c): uma vez estavam uns homens à noite a conversar e viram um gato no chão a andar muito; de menos em quando, o gato dá um salto, e zanga um grande carvalho que ali estava. Era o tardo - Outra vez uns homens à noite viram uma cabrita; não sei que disseram, e a cabrita saltou por um bajoco (charco) e meteu-se num valo (tapagem natural que cerca um campo), onde por mais que bateram, não foi possível dar com ela. Era também o Tardo.".

Hoje, a estas manifestações chamar-se-iam mitos urbanos. Contudo, ainda me lembro de inúmeras narrativas propagadas pela oralidade sobre "ventos estranhos"; "chapadas à mão-cheia" vindas do escuro; "vozes" na noite.  

Há uns tempos encontrei este precioso documentário sobre o TARDO e outros que tais, realizado por Sérgio Martins, com narrativas que hão - de trazer memória a muitos que as ouçam.






quarta-feira, 8 de abril de 2020

Qual de nós nunca bateu 3 vezes na madeira?

O que há de "invisível" naquilo que é o corriqueiro passar dos dias, na sua espuma? O que nos leva a seguir determinado padrão de comportamento perante uma qualquer ocorrência e agir de acordo a um impulso que, pressentimos, levará a tal acção? Por que nos comportámos de "certa maneira" que parece obedecer a um roteiro já escrito diante de uma, aparente, novidade? Quanto carregámos em nós de tradição, superstição, legado milenar de medos e receios ancestrais que o avanço tecnológico e positivista não conseguiu suprimir? E quantas vezes parámos para pensar nisso a sério, sem preconceito, implicância ou hostilidade, aceitando sem rebuço a sentença popular? 

A riqueza de "baixar ao povo", expressão grata à narrativa politiqueira, a que alguém logo contrapôs, "subir ao povo", permite alcançar um entendimento outro relacionado às vivências mais próximas e simples do ancestral vínculo humano à natureza.

Do mito ao rito, como duas faces de uma mesma realidade humana. Neste enfoque, leio deliciado Alexandre Perafita, investigador nestas áreas da tradição popular, com um profundo trabalho de recolha e divulgação do património imaterial.

Neste sentido, carrego para o espaço dois recortes de textos da autoria do dito autor cuja leitura, versando o "patuá" da minha introdução, é deliciosa.  

17/08/2018, Jornal de Notícias
(clicar em cima para aumentar)
...e de como ele se fazia pagar à laia de portagem para dar franquia à outra margem!


 26/11/2016, Jornal de Notícias


A memória do Mafarrico ecoa, sobretudo, na lembrança das madrugadas de 1 de Maio, quando toda a frincha, grande ou pequena; na  vertical ou na sua perpendicular; na madeira ou na pedra, recebia em depósito um ramo de giesta, as Maias, que tinham o condão de manter o dito cujo arredado do interior das habitações.


Para leituras de outro fôlego, os 3 volumes das recolhas de narrativas orais da zona alargada do Douro. Lêem-se como pequenas histórias que, nalguns casos, sensibilizam pela simplicidade aparente da sua trama; e do que fica, a sensação desconfiada de conhecermos aqueles enredos, arrancados à memória profunda, bem profunda, de nós fundação.   

Património Imaterial do Douro - vol. I / II / III, Âncora Editora

terça-feira, 7 de abril de 2020

Em torno de recortes

A curiosidade pela cultura popular leva-me, há anos, a empilhar recortes de jornal ou revista sobre o tema. Festas, festarolas e arraiais; do jogo do pau ao jogo da malha; da Feira da Foda, em Monção, aos cascateiros de Avintes, é fina a malha do que me interessa.

Neste tempo de globalização - é uma frase mais do que estafada, mas...- são as particularidades que hão de fazer valer o mote da distinção e singularidade nas manifestações culturais e traçar a união enquanto país; se esquecermos isto, rapidamente não passaremos de uma memória de museu enquanto povo e unidade cultural.

Quando estudei sociologia, das primeiras coisas que aprendi foi a definição (se é que se pode falar assim!) de cultura: tudo aquilo que o Homem acrescenta à natureza. Todas as manifestações humanas são cultura, enquanto relação com o natural. Quantos comportamentos que nos passam por corriqueiros na sua análise superficial não provêm de manifestações antiquíssimas, seculares, milenares, e às quais não prestámos a devida atenção, a devida vénia, atrapalhados que estamos em produzir, criar, cumprir apenas o presente na sua vacuidade? 

Este meu esforço de recolecta para memória futura, de resgate ao esquecimento numa folha de papel, serve de estrume (a imagem não é bonita mas, dado o contexto, mais apropriada que "fertilizante") a esta natural curiosidade que me anima.

Os três recortes seguintes fazem parte desse manancial de informação - factos, curiosidades e outros - que, espalhados pela casa numa ordem desordenada, fazem de mim um pequeno farrapeiro. 


30/8/2013, Jornal de Notícias:

 A devoção a S. João d'Arga que movia serra acima milhares de devotos tem vindo a ser substituída pela romaria, com destino ao mesmo lugar, mas substituindo a adoração pela "...concertina e o cabrito assado..." - o religioso deu lugar ao profano. Num dos recortes seguintes, um depoente afirma que "...90%  das pessoas não conhecem a capela de São João d'Arga..." para logo de seguida, num momento de franca sinceridade, afirmar que ele próprio havia estado 20 anos sem lá entrar e apenas o ter feito "...porque me esconderam um garrafão de vinho e fui lá procurá-lo."


29/8/2016, Jornal de Notícias:



"Subir a serra a pé e a cantar cantigas brejeiras ao som de concertinas, comer e beber bem e ficar noite dentro a beber mais e a dançar ao redor do mosteiro é, cada vez mais, o espírito da romaria de S. João d'Arga..." 

"O meu senhor S. João, / 
era um santo velhaco, / 
foi à fonte levou três, / 
de regresso eram quatro (uma já vinha grávida)

Manda a tradição que, depois de três voltas à capela, se dê uma esmola ao santo e ao diabo," há que dar nem que seja um cêntimo" para não incomodar muito, quer na vida, quer na romaria. Diz que gosta de moedas pretas, o demo. Disso mesmo ficou convencida uma caminheira, de acordo com o relato: visitando São João d'Arga, não cumpriu o ritual de oferta ao Cão-Tinhoso por falta de moedas. De regresso a casa, deu por falta da carteira - tinha ficado na capela! "Foi como quem diz: não me dás esmola, tiro-te a carteira." Escusado será dizer que regressou ao templo com o bolso cheio de moedas pretas - "Não fosse o diabo tecê-las.".

29/8/2015, Jornal de Notícias:


No canto inferior esquerdo, o artesão barcelense João Ferreira a quem, há anos, compro Santo Antónios.

Para os interessados no tema, deixo uma sugestão de leitura assaz interessante sobre as manifestações culturais de índole religioso e popular: A religião popular portuguesa, de Moisés Espírito Santo - ed. Assírio e Alvim.



Tenho-me servido bastante deste autêntico manual de compreensão e valorização da cultura popular na tentativa de apreender o máximo dos locais aonde vou, sobretudo, nas andanças pelas serranias a que vamos dando gasto às solas. Por quantas "Senhora do Monte" não já passámos?; e os "ritos verbais" que ainda nos surpreendem na boca de algum aldeão?; e as "pedras mágicas" que favorecem a fertilidade ou curam enfermos? É uma leitura extraordinária.

Eu prefiro o papel, mas quem optar por esta via,


também vai bem servido.

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sábado, 4 de abril de 2020


Tenho uma panca por revistas! Números especiais, exemplares  temáticos, matérias de interesse, antigas, actuais...tenho-as às centenas! São milhares e milhares de entradas a assuntos que me interessam: da história à literatura; das viagens à grande informação; das artes aos regionalismos, e, então, se acrescentar centenas de recortes de jornais e outros, surge o imponente DILEMA - quando irei devorar toda esta a informação?


Sempre que vou em busca de alguma informação específica sou assoberbado por toneladas e toneladas - alguém diria "paletes" -  de informação que, acabo por reparar, não cuidei de buscar noutras situações anteriores semelhantes. 
Adaptando ao contexto, diria ser uma "montanha" de informação, ou, melhor: uma cordilheira.

Revista Fugas, suplemento do Público, aos sábados, com  uma matéria sobre as brandas do alto Minho; em destaque, a branda de Santo António de Vale de Poldros.


Quando descubro uma peça de jornal ou revista sobre qualquer um dos lugares que já percorri, rapidamente a memória me transporta através de uma amálgama de emoções baseada, sobretudo, na gratidão devida pela possibilidade de poder fazer isto que faço: partir em busca da surpresa que ainda me causa este país.

Notícias Magazine, suplemento do J.N. aos domingos, com uma peça excelente sobre a difícil e ancestral rivalidade das gentes das povoações da Serra de S. Macário com o lobo.   



Antes do confinamento obrigatório, um dos últimos locais por onde espalmei as solas, aqui trazido pelo Fugas numa matéria sobre as Montanhas Mágicas:

https://www.publico.pt/2018/03/17/fugas/reportagem/nao-e-so-a-paisagem-que-faz-com-que-estas-montanhas-sejam-magicas-1806883


Encontrar conhecidos não é o mais normal, mas também acontece.