Sabes que o confinamento está a afectar-te quando sentes as paredes da sala avançar para ti, silenciosamente mantendo a esquadria, tentando aprisionar-te; quando a casa de banho é cada vez mais pequena e temes morrer afogado na sanita, emboscado pelo espelho e o móvel de arrumação das toalhas; quando a cadeira em que te sentas parece mais e mais pequena a cada dia que passa... não!, isto não é efeito do confinamento: estás mesmo a ficar gordo!
Em pleno dia da Liberdade, não será um Covid-qualquer-coiso a impedir-nos de viajar ou "perder países", como Pessoa definiu o acto - ainda que de maneira outra. A fotografia é a lembrança primeira que ocorre quando pretendemos viajar sem sair do sítio; avivar memórias é um saudável exercício de estimulação intelectual e reavivar de sensações.
As revistas e álbuns são outro manancial absurdo de informação visual sobre países e lugares; se acrescentarmos a valia de por lá haver passado, então será um magnífico exercício de memória; e se, mais dramaticamente ainda, a revista, álbum ou que que seja for antigo, então será um fantástico exercício de imaginação, observando as mudanças ocorridas, ou então, como passados anos, o local se mantém praticamente inalterado.
As fotos abaixo são de alguns roteiros e guias antigos que vou comprando, buscando informações que "caíram em desuso" - seja pela pressão turística que opta por outras rotas e interesses na região ou simplesmente aconteceu assim -; para confronto de mapas da rede viária de anos diversos ou, simplesmente, para fruição das fotografias e aspectos particulares da época.
Outro aspecto interessante a verificar nestes guias/roteiros é a transformação, no tempo, daquilo que é "turístico", que pode ser apresentado como tal.; a manutenção de clichés bafientos assentes numa exaltação de "vãs glórias" até uma visão mais abrangente de um todo multidisciplinar apresentado como destino turístico, baseado nas múltiplas vivências do local.
Que ninguém fique em casa!








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